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Agosto 2017

S&P Afirma Ratings ‘BB/B’ e ‘brAA-’ do Brasil; perspectiva é negativa em razão dos atuais desafios políticos

Cerca de 85 dias após colocar os ratings do país em observação, a S&P afirmou os ratings do país e alterou a perspectiva para negativa. A Perspectiva Negativa representa que um rebaixamento dos ratings poderá ocorrer com chance de 30% nos próximos seis a nove meses na avaliação da agência “— dada a elevada e crescente carga de endividamento do Brasil — se o Congresso falhar em avançar a legislação que começa a reduzir a rigidez fiscal do país, a qual prejudica a redução de seu déficit e a uma moderação sustentada do crescimento dos gastos do país. ”

Por outro lado, os ratings poderão se estabilizar nos próximos seis a nove meses caso haja um maior compromisso político do governo e do Congresso voltado para a mitigação da deterioração fiscal e fortalecimento das perspectivas de crescimento do PIB.

No cenário base da S&P, similar ao de outros agentes do mercado, continuará havendo um ajuste econômico prolongado, com uma lenta correção na política fiscal, em meio a um crescimento modesto este ano e baixo nos próximos anos. Assim como muitos economistas a agência antevê que o o alto nível de endividamento das famílias, empresas e governo restringe uma rápida retomada do crescimento.

A S&P também alerta em seu comunicado que dada a proximidade das eleições de 2018 e a prevalência de políticos tradicionais desacreditados, o que cria condições para candidatos não habituais no cenário político potencialmente competitivos, a agência espera um aumento moderado nos investimentos no curto prazo e o afrouxamento mais pronunciado da política monetária, em razão das dinâmicas inflacionárias favoráveis, deve suportar um aumento do crescimento no próximo ano.

A agência também realizou a recalibragem do mapeamento dos seus ratings nacionais, o que afetará uma parcela significativa dos ratings nacionais de emissores e emissões.

Março de 2017

BC divulga Relatório de Estabilidade Financeira, Situação Fiscal dos Entes Subnacionais requer Monitoramento

O Banco Central acaba de divulgar hoje seu relatório sobre a Estabilidade Financeira do sistema financeiro brasileiro. Chamam a atenção a atualização dos cenários de teste de estresse contemplando a Lava Jato e o incremento dos ativos problemáticos que ainda apontam para impactos menores no sistema.

Além disso, destaca-se a atualização do BC sobre os riscos relacionados à exposição do sistema a situação delicada dos estados e municípios. A situação fiscal dos entes permanece agravada pela queda de arrecadação e é motivo de atenção e monitoramento do BC em função da exposição do sistema financeiro nacional a tais contrapartes.

De acordo com o regulador, o sistema financeiro nacional possuía uma exposição bruta de cerca de BRL 120,7 bilhões a estados e municípios mais vulneráveis, sem incluir nesta conta as empresas estaduais. O regulador ainda chama atenção para o tamanho da exposição aos servidores públicos, equivalente a metade deste impacto.

Do ponto de vista positivo o BC coloca que as simulações indicam que o sistema bancário está preparado para eventuais problemas de solvência dos estados e municípios financeiramente vulneráveis, de seus servidores e de suas respectivas cadeias de fornecedores e empregados. Na nossa visão isso chama-se no popular “o gato subiu no telhado.”

Moody´s aposta no Brasil, Perspectiva Revisada para Estável

A Moody´s alterou ontem a perspectiva do Brasil de negativa para estável do rating Ba2 do Brasil. A agência baseou-se na leitura de alguns sinais de recuperação do país, como a inflação em queda, a recuperação paulatina das instituições, o funcionamento da estrutura de políticas econômicas e a visão particular que o cenário fiscal está “mais claro”.

Em fevereiro o risco médio do portfólio de instituições avaliadas pela agência e acompanhadas pela BRA era de Ba3/A2.br.

Na visão da agência, a recuperação incipiente do crescimento econômico é esperada em 2017 assim como as condições econômicas estão se estabilizando; visão compartilhada também por alguns analistas de mercado a despeito de ainda haver a possibilidade de um aumento da carga tributária a médio prazo. Os riscos de passivos contingentes de entidades relacionadas ao governo foram significativamente reduzidos ainda que na visão da BRA este cenário não seja tão claro uma vez que a situação financeira e fiscal de alguns   estados ainda permanece difícil e que a consultoria observe que no mesmo dia a agência não reverteu por exemplo a perspectiva negativa de empresas como a Petrobras atualmente classificada em B2, Perspectiva Estável desde outubro de 2016. Dito isso, a BRA ressalta que a agência já havia incorporado ao ser a primeira agência a aumentar a nota da companhia uma redução dos riscos de passivos contingentes relacionados a companhia mesmo que os principais fatores fossem sua liquidez e as iniciativas de melhorar seu perfil financeiro.

A Moody´s assim como as demais agências de rating e a BRA Advisory chama atenção para a importância da implementação de reformas estruturais para a continuidade da recuperação econômica e do perfil de risco do país.

“O rating de emissor Ba2 do Brasil reflete a solidez e as debilidades do perfil de crédito do país. O crescimento econômico abaixo do potencial e a frágil posição fiscal, que resultarão na continuidade do crescimento da dívida do governo nos próximos dois a três anos, são importantes limitadores do rating. Estes fatores são compensados, por outro lado, pela ampla e diversificada economia do Brasil, limitada vulnerabilidade externa e susceptibilidade a eventos de risco, e melhora no ambiente para reformas destinadas a resolver as fraquezas do perfil de crédito do país. A perspectiva estável para o rating Ba2 também incorpora nossa expectativa de um ambiente propício para as reformas nos próximos 12 a 18 meses. Esta expectativa é ponderada pelo risco de interrupção deste momento favorável às reformas, atrasos na aprovação da reforma da Previdência ou renovada incerteza política. ”

Segundo a agência o rating do país poderia se elevar se “as reformas estruturais restaurarem índices de crescimento mais elevados e/ou levarem a um ritmo mais acelerado de consolidação fiscal para estabilização da dívida do governo. Demonstração de continuidade das políticas e implementação consistente de reformas fiscais, incluindo o cumprimento do teto para as despesas do governo para além de 2019”. Assim como o rating poderia ser rebaixado caso haja “o ressurgimento de deterioração econômica e riscos fiscais. Em especial, o ressurgimento da desarticulação política e, ainda, a interrupção do momento para realização de reformas que ameacem a implementação das reformas fiscais e o cumprimento do teto dos gastos públicos -- especialmente atrasos na aprovação da reforma da previdência -- exercerão pressão negativa sobre os ratings. ”


Dezembro 2016

Mudança de Humor

A despeito do contingente superior a dois terços de empresas brasileiras com ratings nacionais ainda marcados pela perspectiva negativa da economia brasileira para 2017, a BRA Advisory observa uma mudança paulatina de humor no mercado de capitais e no comportamento das principais agências de rating do país.

A velocidade dos rebaixamentos tem perdido força mesmo com a estabilização de crédito distante e fortemente atrelada a perspectiva de retomada da economia ainda em depressão. A BRA avalia que a desalavancagem financeira praticada pelas empresas nos últimos dois anos, quando combinada a freada dos investimentos, ao corte de custos, e a manutenção de um patamar de refinanciamento a partir de 2017, ancorado principalmente no mercado doméstico, e na perspectiva de um nível de juros doméstico um pouco menor tem colaborado para suavizar a pressão do ambiente de negócios e levar as principais agências a rever sua visão setorial apesar dos desafios para os próximos anos.

Os relatórios de perspectivas de S&P, Moody´s e Fitch para 2017 já apresentam um tom menos negativo e um tímido incremento do número de setores com perspectivas estáveis. Ganha força também a crença na recuperação progressiva do desempenho das empresas principalmente a partir de 2018.

Setores ligado a infraestrutura, elétrico, saneamento, algumas empresas de serviços ligadas a cadeia de ensino e da saúde e empresas líderes de seus segmentos se beneficiam dessa expectativa menos pessimista para 2017, mesmo sendo prematuro na visão da consultoria, o soltar de rojões dado o ambiente político conturbado e a trajetória econômica combalida pelo desemprego e a falta de investimentos públicos e privados.

Acreditamos mesmo assim que uma acomodação ainda que  frágil dos fatores críticos da economia quando associada a melhoria da percepção de que as empresas estão sendo capazes de gerenciar melhor seus custos, liquidez e risco de refinanciamento diante de um cenário prolongado de baixa de atividade, já embutem um grande alento na direção correta para a retomada da credibilidade e de um melhor ambiente de negócios .

Novembro 2016

Fitch Ratings mantém Ratings do Brasil e Perspectiva Negativa

No dia 11 de novembro de 2016 a agência anunciou a esperada manutenção dos ratings do Brasil. A ação está em linha com a expectativa da BRA Advisory e da reação dos mercados que assim como as agências de rating incorporaram em seu cenário base: uma retomada da economia lenta pontuada pela expectativa de oscilações da crise política mais moderadas; da gradual e difícil correção da trajetória da dívida pública e da realização de reformas mais amplas.

A Perspectiva Negativa do comunicado principal da Fitch Ratings resume bem esta visão focada nos problemas do país“ A Perspectiva Negativa reflete os contínuos grandes desequilíbrios fiscais e dinâmica de dívida adversos governo juntamente com a incerteza sobre a implementação de medidas fiscais que melhoram as perspectivas para a estabilização da dívida do Brasil. Apesar da recente reduçção da incerteza política, retrocessos na agenda de fiscal do executivo no Congresso não podem ser descartados, o que por sua vez poderia minar a confiança e aumentar os riscos de recessão para cenários econômicos e fiscais” .

A equipe da Fitch engrossa a lista dos economistas que espera que as reformas aconteçam para conter os gastos, mas que ainda vê como incerto a extensão do progresso dessas iniciativas. A reforma da previdência social, uma das mais relevantes é vista pela maioria dos analistas e pela agência como uma das mais controversas. A agência comenta em seu comunicado que a “ baixa popularidade do presidente, crescente taxa de desemprego, o crescimento medíocre e os processos em curso da Lava Jato são riscos para o ambiente político e poderiam desafiar o progresso da reforma “.

De uma forma geral, investidores e analistas aguardam que um maior progresso das medidas governo brasileiro na direção correta permitam gerar mais credibilidade e negócios. A percepção de um cenário de volatilidade um pouco maior nos mercados de câmbio e juros nos próximos meses também dificulta uma recuperação mais rápida da retomada dos investimentos.

A BRA observa que sem assumir gatilhos quantitativos, tal como ocorreu em publicações anteriores, o comunicado da agência de rating destaca novamente como os principais desafios qualitativos que poderão levar ao rebaixamento do Brasil; as falhas em conter a trajetória ascendente dos encargos da dívida e/ou de seus passivos contingentes ou demonstração de inabilidade nos próximos períodos para retomar o crescimento e melhorar as perspectivas das finanças públicas.

Setembro 2016

Pequenos Ajustes na Metodologia da Fitch de Bancos

A Fitch publicou a atualização anual de sua metodologia de bancos após concluir finalmente sua revisão de critérios no mês setembro de 2016.

As alterações não produziram mudanças imediatas nos ratings já que as abordagens principais utilizadas para suporte institucional e rating de viabilidade continuam inalteradas nos seus princípios basilares.

Foram realizadas algumas mudanças nos indicadores que compõe a grade de seu score de bancos, tal qual como ocorreu em suas principais concorrentes; na S&P em 2013 e na Moody´s em 2015, época em que a agência realizou alterações mais amplas em sua metodologia de bancos.

A Fitch ampliou também os esclarecimentos sobre a utilização dos indicadores financeiros em sua avaliação de força financeira de um banco, identificando um indicador principal para cada um dos quatro fatores do perfil financeiro que fazem parte do Rating de Viabilidade (RV) que a Fitch atribui a bancos. A partir destes a agência determina um score de fatores implícitos. Os scores implícitos podem, então, ser ajustados de forma a chegar aos scores finais, com base em diferentes considerações, algumas das quais usam indicadores financeiros complementares tal qual observamos em uma de suas principais concorrentes.

Entre as medidas importantes que foram alteradas, a Fitch anunciou que não mais atribui crédito pelo conteúdo de capital híbridos de bancos e nem calcula o capital elegível. Com isso, sua principal medida de capitalização passou a ser o Núcleo de Capital Fitch/Ativos Ponderados, medida particular da agência que mensura a parcela do capital capaz de absorção de perdas antes de sua inviabilidade para bancos.  

A Fitch introduziu o conceito de rating de contraparte de Derivativos (RCD) já adotado também por outra agência; a Moody´s. A Fitch espera atribuí-los a bancos selecionados, globalmente a partir do quarto trimestre de 2016. Os RCDs expressam a opinião da agência sobre a relativa vulnerabilidade de um banco à inadimplência em contratos de derivativos com terceiros, contrapartes não governamentais. A agência também explica que um RCD pode ser equalizado ao rating base, IDR de Longo Prazo de um banco no caso da Fitch, ou receber alguns graus acima deste. A graduação acima é possível quando as contrapartes do derivativo se beneficiam de senioridade legal em relação a um colchão de reservas suficientemente amplas e sustentáveis de outros passivos.

A BRA Advisory acredita que entre as próximas alterações relevantes a serem implementadas pelas agências estão a discussão mais profunda sobre a futura recalibragem das metodologias de avaliação incluindo uma abordagem mais atual relacionada ao suporte governamental em ambientes bancários em ambiente de falha e resolução bancária. Até o momento, pouco se avançou sobre esta discussão em países emergentes como o Brasil. Em parte, isto ocorre porque a maioria dos países já tem enfrentado uma extensa agenda regulatória oriundas das mudanças de Basiléia entre outras mudanças implementadas dentro de um ambiente de crise. Avanços e alguns ajustes nos critérios que avaliam os arranjos de pagamentos e outras empresas ligadas a prestação de serviços financeiros também são esperados no médio e longo prazo.

Agosto 2016

Enfim, Algumas Boas Notícias após Tenebroso Agosto

Rating, Recuperação Judicial- As boas notícias do mês de agosto de 2016 ficaram por conta do fim  do longo e desgastante processo do impeachment da Dilma no Senado e pela inteligente criação das linhas de crédito para  recuperação judicial ou falidas pelo BNDES sob a batuta de Maria Silva Bastos.

Ao final de agosto, a BRA Advisory apurou que mantivemos a triste marca, de 25 empresas classificadas como grau CCC ou menor em escala nacional, o equivalente  mais que o dobro de classificações de  grau de investimento pelas três principais agências de rating internacional.

Não podemos esquecer que as estatísticas do Banco Central apontaram para cerca de  BRL 131 bilhões de créditos inadimplentes e reestruturados no total do decrescente volume de BRL 3,129  bilhões  de operações de crédito do sistema financeiro desde junho de 2016. Ao mesmo tempo,  não podemos desconsiderar que o número de empresas em recuperação judicial praticamente dobrou em relação a 2015, somando 1.235 empresas ao final de agosto de 2016.

Assim, não se pode pensar em sucesso na recuperação judicial e até mesmo da economia, sem oferta de crédito novo e mudança de comportamento na gestão. Entendemos que o cenário de recuperação brasileiro será lento nos próximos anos dados desafios políticos e econômicos e não podemos considerar que BNDES e os demais bancos públicos e privados não vão ter um papel importante no financiamento desta recuperação.

Resta saber se a musculatura do BNDES e a disposição do governo para suprir as demandas dado a necessidade de um urgente e significativo ajuste fiscal.

Julho 2016

Com o Olho no Retrovisor

Junho se foi deixando um sabor de “mais do mesmo”. Apesar de alguns sinais de melhoria no front externo e da retomada das captações de alguns emissores, o mês registrou um dos piores índices de captação das companhias brasileiras doméstica e internacional desde 2010. As captações atingiram R$ 66,5 bilhões em junho, com retração nominal de 47% em relação ao início do ano.

A recessão econômica e a queda do nível de investimentos gerado pela crise soberana têm influenciado negativamente o comportamento do mercado. As renegociações de dívidas têm ocorrido num ritmo mais lento dado o elevado grau de endividamento das empresas. O número de empresas de médio e grande porte que tem solicitado recuperação judicial também tem aumentado.

Estudos da BRA Advisory registaram que pelo menos 15% dos emissores com classificação nacional pública por uma das três agências internacionais, sofreu rebaixamento de mais de 3 graus desde o início de 2016.

Acreditamos que um arrefecimento no ritmo de rebaixamentos dos ratings corporativos continuará dependendo da combinação ainda incerta da resiliência do desempenho das empresas, frente a uma economia combalida com avanços no ambiente de negócios. A crise soberana persiste e as perspectivas de melhoria da trajetória fiscal são tímidas, agravadas pelo lento desenrolar da crise política.

Esperamos alguma condescendência das agências nos próximos meses no reposicionamento das classificações dos emissores, mas julgamos prematuro, o entusiasmo de alguns analistas com a trajetória das classificações das empresas e principalmente com a nota de crédito do país.

A maioria dos emissores permanece em perspectiva negativa, cenário que não deve se alterar sem uma mudança concreta do desempenho da economia ou da percepção dos investidores com o risco do país.

Junho de 2016

Recalibragem dos Ratings Brasileiros

A grande maioria dos emissores brasileiros continua sofrendo com os efeitos nocivos da perda de confiança no país promovido por uma das principais crises política e econômica já enfrentadas pelo Brasil. Os recorrentes rebaixamentos do país ocorridos até o início de junho de 2016 levaram ao reposicionamento do risco médio dos emissores brasileiros a se situarem em torno de BB- para Moody´s e S&P e de BB no caso da Fitch.

O fôlego momentâneo ganho com a redução do prêmio de risco do Brasil assim como a deterioração mais lenta do desempenho evidenciada por meio da publicação dos demonstrativos das principais empresas no primeiro trimestre de 2016 também não se mostraram suficientes para aplacar as preocupações dos investidores com a performance em queda e a deterioração do cenário macroeconômico brasileiro.

O mercado de financiamento bancário doméstico permanece travado, impactado pelo menor índice de confiança dos empresários e consumidores. A captação via mercado de capitais local também continua restrita e afetada pelos efeitos da Lavajato e principalmente pelo cenário de  demora crescente nas renegociações de dívida e perspectiva do aumento dos calotes.

As perspectivas de crescimento mais fraca vindo da China e a fragilidade demonstrada pelo governo interino em avançar mais rápido com medidas que promovam a efetiva contenção do gasto público e a retomada da economia também contribuem para minar as perspectivas de uma recuperação mais célere da atratividade dos investimentos no país a médio prazo.

Até o final de maio de 2016, as principais agências internacionais atuantes no país (Fitch,Moody´s e S&P) mantiveram um ritmo maior de rebaixamentos assim como permaneceram com a maior parte dos ratings de seus portfólios sob perspectiva negativa alinhados a perspectiva do rating soberano do país.

As recentes calibragens das escalas nacionais promovidas pela Moody´s e Fitch após o rebaixamento do rating do país para grau especulativo, transcorreram de forma cirúrgica, permitindo a ambas agências manter uma margem para futura ações. A concentração de ratings na parte alta de suas escalas nacionais continua elevada e superior a 40% dos ratings nacionais ao final deste período.

A BRA Advisory observou em seu estudo que o realinhamento pontual das notas, em torno de um grau na maior parte dos casos, acabou não alterando o risco médio da grande maioria dos segmentos de ambas as agências, embora tenha beneficiado cerca de 43 empresas e 25 instituições financeiras brasileiras.

O setor bancário, por exemplo, foi um dos segmentos que teve o maior número de emissores beneficiados pelo realinhamento da Moody´s, embora o risco médio deste segmento e as principais preocupações da agência com setor sigam inalterados. A consultoria alerta que este tipo de movimento só é possível devido ao número proporcional de ajustes realizados em ambas direções. Foram revisadas para baixo cerca de 24 empresas, sendo que os segmentos de construção, engenharia, mineração e de project finance continuam entre aqueles cuja as classificações têm sido mais afetadas pelas perspectivas negativas desde o início da crise.

Maio de 2016

Fitch Rebaixa Brasil para BB com Perspectiva Negativa

Após seis meses de sua última ação, a Fitch volta a rebaixar o Brasil colocando o rating em perspectiva negativa. A ação da Fitch seguiu a mesma linha de seu último rebaixamento focando suas preocupações na recessão profunda, cenário fiscal adverso e a incerteza política que tem minado a capacidade do governo em administrar e conter a trajetória da dívida.

O cenário base assumido pela agência de deterioração para as métricas de dívida e déficit pouco evoluiu apesar da tendência de piora continuar a se materializar neste curto espaço de tempo, mostrando como esperado mais do mesmo. A reversão da Perspectiva Negativa é vista como um grande desafio para o curto prazo e depende fundamentalmente da sustentação de um ambiente que restaure a confiança na capacidade do governo estabilizar a trajetória da dívida e as perspectivas econômicas.

Na prática, os investidores enxergaram esta mudança como um alinhamento do posicionamento da classificação da agência ao patamar da S&P e Moody´s e observam que a rota de rebaixamento das classificações deve ser mantida no médio prazo. As classificações dos bancos têm seguido o reposicionamento do rating soberano tanto na Fitch quanto nas demais agências sem maiores novidades. Devem merecer atenção especial, entretanto, o reposicionamento a ser realizado nos ratings das empresas. Ainda que tenhamos verificados nos estudos da BRA Advisory um menor volume nos cortes dos ratings nos últimos seis meses, observamos que permanece o cenário de letargia na economia, piora dos custos de financiamento e retardo na reestruturação das dívidas de grandes empresas em situação de dificuldade.

A Fitch cortou 90 ratings internacionais e 61 internacionais de companhias brasileiras nos últimos dois e meio e até abril mantinha o rating médio do seu portfólio em torno do rating BB. A agência mantém cerca de quase metade dos ratings internacionais entre as classificações de BBB a BB+. Agora só nos resta acompanhar suas ações nos próximos dezoito meses.

Abril de 2016

Mercados Estabilizam Momentaneamente mas Crescimento Global e Políticas Preocupam

Conforme havíamos adiantando anteriormente em nosso comentário de 1 de abril de 2016, dados consolidados do primeiro semestre deste ano apontam na direção que as preocupações com os ativos de risco, ações e títulos corporativos vão continuar como mostram as pesquisas do U.S. Department of the Treasury em suas publicações recentes. Houveram vendas de ativos de risco acentuadas nas primeiras seis semanas de 2016 apesar de sua recuperação parcial destes ativos nos mercados desenvolvidos e até da queda dos spreads nos mercados de títulos emergentes já que as preocupações com os principais fatores de risco permanecem. As perspectivas de crescimento global ainda são fracas assim como as preocupações com as políticas da economia chinesa continuam e devem ser monitoradas. O excesso de oferta no mercado de petróleo vai continuar a médio prazo e os investidores continuam desconfiando que os reguladores esgotaram seus instrumentos para estimular fiscalmente o crescimento assim como alguns temem que as taxas de juros negativas vão fazer mais mal do que bem afetando principalmente os sistemas bancários como no Japão e outros países da Zona do Euro que adotaram seu corte. Resumindo ainda muita incerteza.

O Mercado de Dívida e a Volatilidade dos Preços no 1T2016
Finalmente uma boa notícia que merece ser compartilhada! O Brasil conseguiu se beneficiar da melhora tempestiva do mercado de títulos emergentes neste primeiro trimestre. Mesmo impactados pela perda do grau de investimento, dados da Markit assim como de outras consultorias de mercado, apontam para o fato de que os bônus brasileiros tiveram aumentos expressivos no período de 13.4% no caso dos títulos soberanos e de + 6.7% nos papéis corporativos. Este movimento propiciou a janela de captação do país e é observado facilmente por meio do acompanhamento do comportamento dos CDS dos títulos brasileiros e pela pequena queda observada nos juros pagos pelas empresas no exterior.Os CDs dos títulos do Brasil que superam os 500 pontos base no ínicio do ano reduziram para 367 pontos ao final de março de 2016 como mostramos no gráfico abaixo.Estimulados pela interrupção da tendência de contínua do dólar e pelos sinais de correção técnica nos segmentos de commodities, os papéis brasileiros se beneficiaram pela menor aversão ao risco no período e também pela expectativa de que com a materialização da discussão do impeachment, a crise política arrefeça e o país finalmente tome um rumo melhor em suas finanças públicas. Ressaltamos que mesmo com um cenário externo menos belicoso, ainda é cedo para afirmar que o mercado não seguirá afetado por uma maior volatilidade em 2016. No caso do comportamento dos papéis brasileiros é importante ainda destacar que a melhora do cenário político e fiscal serão fatores críticos fundamentais que darão a tônica de sua trajetória.



Março de 2016

Rating – Pós Rebaixamento do Brasil, Aumenta o número de Ratings de Empresas Brasileirascom Perspectiva Negativa

O impacto mais significativo da perda do selo de bom pagador do Brasil sobre o perfil de risco das empresas se materializou como a BRA Advisory antecipou ao longo de 2015. Em fevereiro de 2016, a consultoria confirmou a redução do número de empresas com grau de investimento e identificou que um conjunto de apenas 14 empresas brasileiras com rating internacional permanecem classificadas com grau de investimento por pelo menos duas das três principais agências internacionais- Fitch, Moody`s e S&P.

A BRA Advisory reafirma que um novo rebaixamento do Brasil poderá reduzir o seleto número de empresas com rating internacional com grau de investimento, para um total de até 9 a 10 empresas. Os setores de metais/siderurgia e energia foram os mais penalizados no reposicionamento das classificações pelas três agências além do setor bancário, cuja as classificações tendem a ficar limitadas pelo rebaixamento do soberano com perspectiva negativa. Os segmentos de concessões rodovias e projetos de infraestrutura também estão entre aqueles que foram mais afetados pela perspectiva de queda mais prolongada do nível de atividade e incertezas macroeconômicas a médio prazo.

Mesmo com o efeito dominó sobre as classificações de grau de investimento internacional das empresas brasileiras e a piora de um a dois graus em alguns dos principais segmentos nos últimos doze meses, a consultoria constata que o balanceamento das classificações dos portfólios das agências foi “cirúrgico” nos últimos meses e o risco médio dos portfólios permaneceu concentrado em torno das categorias de rating BB e brAA, nas escalas internacional e nacional, respectivamente.

A economista Maria Rita Gonçalves alerta que um contingente maior de emissores brasileiros passou a contar com classificações com perspectiva negativa desde o ano passado devido a rápida deterioração no ambiente de negócios e, que por isso, não está descartado a possibilidade de um maior achatamento na distribuição dos ratings, até mesmo para a escala nacional, caso novos rebaixamentos do país se materializem a médio prazo.

A consultoria observa que o agravamento das condições fiscais e a situação de letargia da economia e do ambiente político do país continuam sendo os principais entraves para a atração dos títulos brasileiros a despeito do maior prêmio de risco que está sendo demandado das empresas e do país pelos bancos e mercado de capitais seja para transações em reais ou em moeda estrangeira. A menor atratividade também tende a se acentuar a curto prazo já que a maioria das empresas emergentes está pagando prêmios maiores desde 2015 e pelo fato que o fluxo de recursos para estes mercados tem sofrido ajustes.

Dezembro de 2015

Rating - Empresas Brasileiras sofrem Efeito Dominó  com a Piora do Risco País

O esperado cenário de rebaixamento vem se materializando como a BRA Advisory antecipou há alguns meses em seus estudos sobre as empresas brasileiras.

A consultoria observa que a revisão de portfólio da Moody´s envolveu cerca de 72 empresas, englobando estados e municípios e empresas já classificadas com grau especulativo mais afetadas pelo ambiente econômico e/ou dependentes do suporte e financiamento do governo.

É possível que 9 empresas, com rating internacional, resistam ao efeito dominó mantendo seu “grau de investimento” na visão da BRA Advisory.

O ambiente de negócios das empresas brasileiras se degradou muito rapidamente e tem afetado praticamente todos os setores da economia já que o risco de refinanciamento tem aumentado com o maior custo de financiamento local e a expectativa de um fechamento mais prolongado dos mercados internacionais.

 “ É preciso que a classe política e o governo sejam capazes de mostrar alguns sinais com mais clareza de seu comprometimento com o rearranjo institucional e fiscal do país. O retorno ao grau de investimento normalmente é demorado e o principal item que falta hoje ao investidor é a confiança e estabilidade”, observa Maria Rita Gonçalves. O momento de incerteza agrava o cenário de letargia da recuperação da economia até 2017.

Dezembro de 2015

Empresas Brasileiras continuam sofrendo o efeito dominó do rebaixamento do país

  A combinação perversa da queda dos preços das commodities aliada a estagnação econômica e ao cenário de deterioração fiscal e política brasileira levou ao rebaixamento do rating do Brasil pelas agências de rating, provocando o chamado efeito dominó sobre as classificações dos bancos e empresas brasileiras e o significativo aumento dos custos de financiamento.

 O número de empresas brasileiras que perdeu ou que estão sob ameaça de perder o grau de investimentos até 2016 é um dos mais altos entre os países emergentes.

 O estudo da BRA Advisory identificou que o grupo de empresas e instituições financeiras, classificadas com pelo menos um ou dois ratings grau de investimento do Brasil está em torno de 51 empresas e representa cerca de 30% do universo de 175 empresas brasileiras com classificação de risco de crédito internacional pública por uma das três principais agências atuantes no país – Fitch, Moody`s e S&P.

 A avaliação da consultoria aponta que este resultado seria ainda pior se um percentual equivalente a quase dois terços dos emissores brasileiros do estudo já não trabalhasse pelo menos com mais de uma agência classificadora, usando a seu favor o benefício da divergência de opiniões ao invés de se limitar ao uso de uma única agência.  Esta também é uma exigência de investidores qualificados e dos mercados desenvolvidos.

 “Este grupo de emissores é diversificado e composto pelas principais empresas e bancos listados do país. São em sua maioria por empresas bem posicionadas em seus mercados alvos, mas que veem sendo derrubadas neste ciclo de baixa principalmente pelo fardo do peso do ambiente de negócios” observa Maria Rita Gonçalves. “ De acordo com o estudo, as perspectivas negativas continuam se materializando em novos rebaixamentos, e se continuar nesta velocidade, este grupo irá reduzir quase metade em 2016/2017, alcançando um dos patamares mais baixos observados no histórico do país. 

 O setor bancário está entre um dos principais segmentos afetados com maior número de classificações a serem novamente alteradas embora outros segmentos como, energia, siderurgia e os poucos estados brasileiros que foram classificados e emitiram notas no exterior também estejam entre aqueles emissores que tiveram sua classificação limitadas.

 A letargia de recuperação na economia no horizonte de 2017 é um dos principais entraves para a trajetória de reação do ambiente de negócios que vem prejudicando as empresas embora outros fatores negativos também as impactem como a expectativa de uma deterioração mais prolongada dos termos de troca das commodities, os juros elevados, a inflação e a incerteza fiscal e política por qual o país atravessa e que tem afastado os investidores.  A liquidez será um dos fatores críticos deste ciclo e a BRA Advisory acredita também que algumas empresas brasileiras possuem perfil de crédito forte suficiente para atravessar mais esta crise, embora a deterioração tenha afetado praticamente todos os setores da economia. Em nossa opinião a habilidade de comunicação com o mercado será fundamental.

  Observamos também que  o risco médio dos emissores classificados poderá permanecer em torno da categoria de rating BB a médio prazo apesar da rápida deterioração observada nas classificações ao longo de 2015.